Manaus 28/10/2026 32°C · Ensolarado
AO VIVO

Entre linhas e pincéis: trabalhos manuais viram alternativa para sair das telas em Manaus

Em uma rotina marcada por notificações, mensagens e horas diante do celular, dedicar tempo a uma atividade manual pode ser uma maneira de desacelerar. Em Manaus, oficinas de bordado, cerâmica, pintura e outras linguagens artísticas oferecem à crianças, jovens

Redação · 28/10/2026 às 11:31

Entre linhas e pincéis: trabalhos manuais viram alternativa para sair das telas em Manaus

Em uma rotina marcada por notificações, mensagens e horas diante do celular, dedicar tempo a uma atividade manual pode ser uma maneira de desacelerar. Em Manaus, oficinas de bordado, cerâmica, pintura e outras linguagens artísticas oferecem à crianças, jovens e adultos a oportunidade de experimentar atividades longe das telas e redescobrir o prazer de criar com as próprias mãos.

A experiência de uma aula de bordado livre permite observar esse movimento de perto. Entre linhas, agulhas e tecidos, os participantes aprendem uma nova técnica e precisam dedicar atenção aos movimentos, às cores e à construção de cada ponto. A proposta vai além de produzir uma peça: é também reservar um momento para si em meio à rotina.

À frente do Be Kind Ateliê, Kamila Bianca afirma que percebe uma procura crescente por atividades manuais desde 2021, quando começou a oferecer oficinas de bordado livre. “Naquela época, realizava de três a quatro turmas por ano. Em 2026, a programação passou a contar com duas turmas por mês, intercalando modalidades para iniciantes, avançados e bordado em aquarela sobre tecido”, afirmou.

Segundo Kamila, o interesse envolve tanto pessoas que desejam aprender a bordar quanto aquelas que procuram uma experiência diferente do consumo de conteúdos digitais.

“Teve um ‘boom’ após a pandemia. Cada vez mais mulheres buscam sair um pouco das telas e do excesso de informações”, relata.

A proprietária também observa que algumas pessoas chegam às oficinas por iniciativa própria, enquanto outras contam ter recebido recomendações de profissionais de saúde, como psicólogos e psiquiatras, para buscar atividades manuais.

Kamila diz que, desde o início das oficinas, percebe essa busca por experiências que permitam se afastar temporariamente das telas. Para ela, o bordado também se consolidou como uma forma de expressão artística.

Um espaço para desacelerar

A busca por experiências criativas e presenciais também faz parte da proposta do Relaxamente Ateliê Criativo, comandado por Danielle Alecrim. O espaço oferece oficinas de cerâmica, pintura em porcelana e azulejos, bordado, xilogravura e escultura em livros, entre outras atividades.

Danielle afirma perceber maior procura por experiências que favoreçam a convivência e permitam uma pausa na rotina. Além das oficinas, o ateliê organiza encontros para grupos de amigos e eventos corporativos.

“Ao bordar, modelar uma peça ou pintar um azulejo, a pessoa naturalmente se concentra no que está criando. É uma oportunidade de trocar, por algumas horas, o movimento das telas pelo movimento das próprias mãos”, explica.

O público do Relaxamente, segundo Danielle, vai dos 8 aos 80 anos. Para ela, uma parte importante da experiência é retirar a pressão pelo resultado perfeito e permitir que os participantes experimentem as técnicas sem a obrigação de demonstrar habilidade artística.

A proposta é que o processo criativo tenha tanto valor quanto a peça finalizada. Dessa forma, o hobby pode ser uma oportunidade de aprender algo novo, compartilhar experiências e dedicar atenção a uma atividade fora do ambiente digital.

Um hobby que também contribui para a profissão

Para a médica dermatologista Dra. Laísa Hollanda, a escolha pelo bordado livre reuniu diferentes motivações: experimentar um hobby novo, passar mais tempo com a família e exercitar habilidades importantes para sua atuação profissional.

“Procurei o curso porque queria experimentar um hobby novo, descobrir se teria afinidade com o bordado e passar mais tempo com as pessoas que amo, já que minha família também participou da aula. Além disso, queria exercitar a coordenação motora fina, uma habilidade importante para a minha atuação profissional em procedimentos dermatológicos”, conta.

O relato mostra como uma mesma atividade pode assumir diferentes significados. Enquanto algumas pessoas buscam um momento de tranquilidade, outras também encontram no trabalho manual uma oportunidade de convivência familiar, desenvolvimento de habilidades e descoberta de novos interesses.

No caso da dermatologista, o bordado reúne o lazer e o exercício da coordenação motora fina, habilidade relevante para a realização de procedimentos dermatológicos.

Redescobrir o prazer de criar

Embora cada participante tenha suas próprias motivações, os relatos das proprietárias apontam para o interesse por experiências que combinem aprendizado, convivência e tempo dedicado a si mesmo.

Danielle destaca a importância de permitir que os participantes experimentem sem medo de errar ou da necessidade de alcançar um resultado perfeito. A ideia é valorizar o processo criativo, independentemente da experiência anterior ou do resultado final.

Em meio a uma rotina cada vez mais conectada, atividades como bordado, pintura e cerâmica oferecem uma alternativa para diversificar o lazer. Não se trata necessariamente de abandonar a tecnologia, mas de encontrar espaço para outras experiências.

Entre linhas, pincéis e argila, o resultado não aparece com um toque na tela. Ele exige tempo, atenção e participação. E é justamente essa experiência que pode tornar o trabalho manual uma escolha significativa para quem deseja desacelerar e descobrir novas formas de aproveitar o tempo livre.