25 de maio de 2021 14h53 - Atualizado em 25/05/2021 14h53

Relacionamentos na pandemia no Festival Amazonas de Ópera

A ópera "Três minutos de Sol" abre a programação do Festival no próximo dia 6

Um triângulo amoroso em meio a uma pandemia, que tem como meio principal de interação as redes sociais, se desenvolve na ópera “Três Minutos de Sol”, do compositor Leonardo Martinelli, com libreto de João Luiz Sampaio. A montagem estreia no 23º Festival Amazonas de Ópera (FAO) no dia 6. Neste ano, a programação do festival será transmitida on-line por meio do Facebook e Youtube da Secretaria de Cultura (@culturadoam), e também pelo canal do Youtube do FAO (festivalamazonasdeoperafao).

“Três Minutos de Sol” é uma ópera em ato único, dividido em três cenas de aproximadamente 10 minutos cada. Na história, o público é apresentado aos personagens Laura (a soprano Lina Mendes), Duda (o contratenor Sávio Faschét) e Marcos (o barítono Vitor Mascarenhas). A estreia conta com a direção de cena de Julianna Santos, e os solistas são acompanhados por músicos da Amazonas Filarmônica. A obra foi encomendada especialmente para o FAO.

Natural de São Paulo, o professor, pesquisador e compositor da ópera Leonardo Martinelli explica que a ideia de “Três Minutos de Sol” surgiu da mudança de relações ocasionada pelo isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19 e a vontade de transpor isso em música.

“A mudança de relações em todo o planeta, o registro que os jornais faziam sobre as mudanças de comportamento, ver na minha própria rede social como as pessoas estavam lidando com isso, meu cotidiano de isolamento e dos meus amigos, tudo isso fez com que eu quisesse tratar esse tema em uma ópera”, conta. “Eu sempre vejo a ópera como um lugar no qual os compositores e os libretistas falavam de coisas do seu tempo. Esse tema é algo excepcional do nosso tempo”, ressalta.

FAO 2021 

A 23ª edição do FAO será realizada de 6 a 20 de junho, com óperas e concertos gravados, recitais transmitidos ao vivo, webinars e masterclasses on-line, entre outras atrações. Adiado por conta da pandemia de Covid-19 em 2020, o FAO será totalmente dedicado a compositores e intérpretes brasileiros.

Seguindo os protocolos de segurança e prevenção contra o novo coronavírus, o FAO tem uma produção inovadora este ano. As orquestras dos Corpos Artísticos gravam, em dias alternados, áudio e vídeo das obras em Manaus, no Teatro Amazonas, e os solistas gravam as vozes em São Paulo, onde também é trabalhada a parte cênica. O material é, então, reunido e editado para dar vida às óperas e aos concertos. Os grupos de músicos também são reduzidos, em formato de câmara, para evitar aglomerações e facilitar o distanciamento social.

De acordo com Luiz Fernando Malheiro, o FAO não exaltará apenas os compositores contemporâneos, mas realizará um panorama de 165 anos de repertório brasileiro.

“É importante salientar a filosofia desta edição do festival de priorizar nossos artistas. Muitos sofreram e foram prejudicados por conta da pandemia, e por isso decidimos trabalhar apenas com profissionais brasileiros e também com repertório brasileiro. Teremos obras desde o século 19 até os dias atuais”, assinala o diretor artístico.

Óperas (19h Manaus / 20h Brasília)

6 de junho

“Três Minutos de Sol”

Ópera de Leonardo Martinelli / libreto de João Luiz Sampaio

Amazonas Filarmônica

13 de junho

“O Corvo”

Ópera de Eduardo Frigatti / inspirada no conto de Edgar Allan Poe

Coral Do Amazonas e Amazonas Filarmônica

20 de junho

“Moto-Contínuo”

Ópera de Piero Schlochauer / libretto de Beatriz Porto, Isabela Pretti e Piero Schlochauer

Amazonas Filarmônica

Concertos (20h Manaus/ 21h Brasília)

11 de junho

“Duas Flores”

de Fernando Riederer

12 de junho

“Vox Populi e Vírus Verbal em Quatro Miniaturas”

de Laiana Oliveira

14 de junho

“Sans Rien Dire e Spaziergang”

de Tatiana Catanzaro

15 de junho

“Dire è Fare”

de Vinicius Giust

18 de junho

“Ária dos olhos”

de Paulina Łuciuk, poema de Alphonsus de Guimarães

19 de junho

“A Máquina Entreaberta”

de Willian Lentz

Recitais de canto e piano (20h Manaus / 21h Brasília)

7 de junho

Canções de Almeida Prado – Francisco Mignone – Ronaldo Miranda

Dhijana Nobre, soprano 

Joubert Júnior, barítono

9 de junho

Canções de Almeida Prado – Ernani Aguiar – João Guilherme Ripper – Osvaldo Lacerda – Ronaldo Miranda

Carol Martins, soprano

Thalita Azevedo, mezzo-soprano

Enrique Bravo, tenor

10 de junho

Canções de Chiquinha Gonzaga

Mirian Abad, soprano

Marinete Negrão,  mezzo-soprano

Jefferson Nogueira, tenor

Joubert Júnior, barítono  

Roberto Paulo, baixo

16 de junho

Canções de Carlos Gomes

Raquel de Queiroz, soprano 

Aurean Elessondres, mezzo-soprano

Juremir Vieira, tenor

Luiz Carlos Lopes, baixo-barítono

Emanuel Conde, baixo

17 de junho

Canções Amazonenses

Carol Martins, soprano

Samanta Costa, mezzo-soprano 

Wilken Silveira, tenor

Miquéias William, tenor

Josenor Rocha, barítono

Roberto Paulo, baixo

Webinars

6 de junho (20h Manaus / 21h Brasília)

“A ópera hoje, no Brasil e no Mundo”

8 de junho, (16h Manaus / 17h Brasília)

“Teatros de Ópera e a Economia Criativa no Brasil e na América Latina”

12 de junho, (16h Manaus / 17h Brasília)

“A Profissão do compositor erudito no Brasil: formação, divulgação, interesse, futuro”

Masterclasses (16h Manaus / 17h Brasília)

16 de junho

“Composição de Ópera: Novas linguagens, streaming – até que ponto ajuda ou prejudica a ópera”

18 de junho

“A arte do canto na ópera contemporânea – especialização?”

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