4 de junho de 2021 08h59 - Atualizado em 4/06/2021 08h59

‘O Corvo’ unirá música e animação no Festival Amazonas de Ópera

Obra é baseada no poema de Edgar Allan Poe, na versão traduzida por Machado de Assis

Um clássico em forma de ópera, uma ópera em forma de animação. O poema “O Corvo”, de 1845, do escritor norte-americano Edgar Allan Poe, foi adaptado pelo compositor brasileiro Eduardo Frigatti e estreará no Festival Amazonas de Ópera (FAO), no dia 13 de junho, às 19h, acompanhada de um filme animado.

‘O Corvo’ é um clássico. Nesta liquidez do mundo contemporâneo, os clássicos são ancoradouros. A obra é uma reflexão sobre o luto. Há nas sociedades atuais um culto à juventude e ao hedonismo superficial – Carpe Diem à la fast food. A pandemia nos impôs uma reflexão sobre a morte. Por isso, ‘O Corvo’, um poema clássico, que resgata elementos da cultura clássica em sua técnica formal e trata de um tema universal”, comenta o compositor, sobre os motivos para adaptar a obra.

A versão machadiana, de acordo com o compositor, foi a utilizada por ressaltar a narrativa do poema. “Há várias traduções excelentes para o português deste poema. Após ponderar entre algumas delas, decidi pela tradução (diria, recriação) de Machado de Assis. O drama é fundamental para uma boa ópera. Na tradução de Machado, o conflito interno do narrador é claro, e o crescimento de sua tensão até o final do poema é percebido com facilidade”.

O primeiro grande desafio para adaptar a obra foi criar o libreto e extrair do poema um “arco dramático operístico”, explica Frigatti. “Um segundo desafio foi encontrar uma boa síntese entre o meu estilo pessoal e as demandas expressivas do texto. Todo som tem um potencial expressivo. É uma ‘equação’ complexa encontrar os sons que exprimam a expressividade que o texto demanda e dar-lhes uma forma no tempo, que mantenha o ouvinte atento e que também demonstre a minha assinatura composicional. Foram feitos vários esboços”, ressalta.

Animação 

A ópera “O Corvo” será a única a ganhar uma animação dentro do FAO. Para a adaptação do libreto, a direção do FAO convidou a roteirista Carolina Mestriner, e para a animação, Ana Luisa Anker (produção executiva e animação), Giorgia Massetani (direção de arte e desenhos), Renato Zecheto (animador e assistente de desenhos), Samantha Audi (animadora) e Fernando Chade de Grande (animador).

Eduardo Frigatti pontuou que uma referência visual para a animação foi o cinema expressionista alemão. “O filme ‘O Gabinete do Dr. Caligari’ se tornou um ponto de partida para o processo de elaboração do roteiro e dos desenhos”, afirma. “Uma vez decidido o roteiro e feito os primeiros esboços dos desenhos, continuei a acompanhar o trabalho criativo da equipe de animação a distância. Com essa liberdade, a equipe criou uma animação lindíssima, combinando desenhos e fotografias, com uma ambientação incrível. Estou fascinado!”.

FAO 2021 

A 23ª edição do FAO será realizada de 6 a 20 de junho, com óperas e concertos gravados, recitais transmitidos ao vivo, webinars e masterclasses on-line, entre outras atrações. Adiado por conta da pandemia de Covid-19 em 2020, o FAO será totalmente dedicado a compositores e intérpretes brasileiros.

Óperas (19h Manaus / 20h Brasília)

6 de junho

“Três Minutos de Sol”

Ópera de Leonardo Martinelli / libreto de João Luiz Sampaio

Amazonas Filarmônica

13 de junho

“O Corvo”

Ópera e libreto de Eduardo Frigatti

Coral Do Amazonas e Amazonas Filarmônica

20 de junho

“moto-contínuo”

Ópera de Piero Schlochauer / libretto de Beatriz Porto, Isabela Pretti e Piero Schlochauer

Amazonas Filarmônica

Concertos (20h Manaus/ 21h Brasília)

11 de junho

“Duas Flores”

de Fernando Riederer

12 de junho

“Vox Populi e Vírus Verbal em Quatro Miniaturas”

de Laiana Oliveira

14 de junho

“Sans Rien Dire e Spaziergang”

de Tatiana Catanzaro

15 de junho

“Dire è Fare”

de Vinicius Giust

18 de junho

“Ária dos olhos”

de Paulina Łuciuk, poema de Alphonsus de Guimarães

19 de junho

“A Máquina Entreaberta”

de Willian Lentz

Recitais de canto e piano (20h Manaus / 21h Brasília)

7 de junho

Canções de Almeida Prado – Francisco Mignone – Ronaldo Miranda

Dhijana Nobre, soprano

Joubert Júnior, barítono

9 de junho

Canções de Almeida Prado – Ernani Aguiar – João Guilherme Ripper – Osvaldo Lacerda – Ronaldo Miranda

Carol Martins, soprano

Thalita Azevedo, mezzo-soprano

Enrique Bravo, tenor

10 de junho

Canções de Chiquinha Gonzaga

Mirian Abad, soprano

Marinete Negrão, mezzo-soprano

Jefferson Nogueira, tenor

Joubert Júnior, barítono

Roberto Paulo, baixo

16 de junho

Canções de Carlos Gomes

Raquel de Queiroz, soprano

Aurean Elessondres, mezzo-soprano

Juremir Vieira, tenor

Luiz Carlos Lopes, baixo-barítono

Emanuel Conde, baixo

17 de junho

Canções Amazonenses

Carol Martins, soprano

Samanta Costa, mezzo-soprano

Wilken Silveira, tenor

Miquéias William, tenor

Josenor Rocha, barítono

Roberto Paulo, baixo

Webinars

6 de junho (20h Manaus / 21h Brasília)

“A ópera hoje, no Brasil e no Mundo”

8 de junho, (16h Manaus / 17h Brasília)

“Teatros de Ópera e a Economia Criativa no Brasil e na América Latina”

12 de junho, (16h Manaus / 17h Brasília)

“A Profissão do compositor erudito no Brasil: formação, divulgação, interesse, futuro”

Masterclasses (16h Manaus / 17h Brasília)

16 de junho

“Composição de Ópera: Novas linguagens, streaming – até que ponto ajuda ou prejudica a ópera”

18 de junho

“A arte do canto na ópera contemporânea – especialização?”

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