22 de junho de 2018 10h57 - Atualizado em 22/06/2018 10h57

Vício em videogame é reconhecido como doença pela OMS

Para o diagnóstico, a OMS diz que é necessário haver um comportamento extremo
video game

O vício em videogames foi incluído na nova Classificação Internacional de Doenças (CID) como perturbação mental pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O diagnóstico considera, por exemplo, a falta de controle e a prioridade dos jogos na vida da pessoa. A partir de agora, os médicos deverão estudar mais a fundo a questão.

O assessor de imprensa Werveson Ferreira, de 23 anos, joga videogame desde pequeno e garante: é preciso fazer uma divisão das tarefas, para não deixar que o jogo seja a prioridade número um no dia a dia.

“Eu sempre joguei, desde a infância. Depois de mais velho, é um dos meus hobbys favoritos. Eu gasto dinheiro com jogos. E eu acho essa decisão da OMS muito importante porque realmente tem que haver um controle, tem que haver uma divisão de tarefas no dia a dia, seja o jogo, seja a bebida, cigarro, todo o tipo de tarefa pode viciar também. Mas também é importante que a população não rotule todo mundo assim, todo gamer como viciado, como uma pessoa antissocial”, explicou.

Para o diagnóstico do vício em videogame, a OMS diz que é necessário haver um comportamento extremo com consequências sobre as “atividades pessoais, familiares, sociais, educativas ou profissionais” e, “em princípio, manifestar-se claramente sobre um período de pelo menos 12 meses”. O psiquiatra Cirilo Tissot explica que o mais indicado, nesses contextos, é observar o comportamento e procurar ajuda médica em casos mais graves.

“Os médicos, há muito tempo, vem observando que existem certas pessoas que desempenhavam um comportamento patológico ao jogar. O problema é como o médico poderia diagnosticar isso se não existiam critérios de como descrever esta patologia. Então, a Organização Mundial da Saúde colocou esses critérios, que são exatamente assim: observar a pessoa no último ano e observar se no último ano a relação que ela tem com o seu objeto de prazer, no caso os jogos, desempenhava nesta pessoa uma falta de controle, em que ela deixava de cumprir com suas responsabilidades em função do jogo”.

A pesquisadora Andrea Goulart, de 43 anos, fez mestrado na Faculdade de Ciência da Informação da UnB. No seu estudo, Andrea descobriu que, quando a pessoa joga videogame, ativa-se uma área no cérebro relacionada ao desejo por drogas.

“Quando você faz uma ressonância magnética funcional, a área do cérebro que é ativada quando eles jogam é a mesma área do cérebro que também é ativada quando a pessoa usa drogas tipo cocaína, metanfetamina. Então, o quê que eles falam? Que este impulso de jogar, ativa as mesmas áreas cerebrais que são relacionadas pelo desejo por droga. Ele não precisa de uma substância química, para ser gerado. Ele é gerado pelo próprio cérebro.”

Mas para a professora da Universidade de Brasília, Ivette Kafure Muñoz, que orientou o mestrado de Andrea, se a pessoa souber dosar, o jogo também pode trazer benefícios.

“De maneira moderada, como tudo na vida, são oportunidades de criatividade, desenvolvimento, ajuda no aprendizado das crianças e dos adultos também.”

A Classificação Internacional de Doenças, publicada nesta semana, traz códigos para as doenças, sinais ou sintomas e é usada por médicos e pesquisadores para rastrear e diagnosticar uma doença.

Atualmente, o mercado mundial de games movimenta mais de cem bilhões de dólares por ano, sendo maior do que os mercados de cinema e música juntos.

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