8 de outubro de 2019 10h06 - Atualizado em 8/10/2019 10h06

Tecnologia desenvolvida na Amazônia leva água potável aos ribeirinhos

Com a utilização da tecnologia, o Estado garante, além de melhoria na qualidade de vida, economia para os cofres públicos
SALTA-Z 2 (1)

Pensando na necessidade econômica, social e até de saúde dos ribeirinhos, o Governo do Estado em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), planeja instalar aproximadamente 400 purificadores de água Salta-Z (Solução de Abastecimento de Água por Zeólita) nas comunidades que compõem as nove calhas do Amazonas. A Defesa Civil Estadual vai coordenar a ação.

“O Estado, enxergando essa potencialidade [do Salta-Z], resolveu adquirir os equipamentos para poder suprir essas comunidades tão distantes, que estão tão desassistidas de políticas públicas, principalmente na questão hídrica e de saneamento de forma geral. O Salta-Z vem com essa pegada, com essa proposta”, afirma o coronel Francisco Máximo, secretário-executivo da Defesa Civil do Amazonas.

Com a utilização da tecnologia dentro das comunidades rurais, o Estado garante, além de melhoria na qualidade de vida, economia para os cofres públicos e para o bolso da população. “Quando a gente fala em economicidade e eficiência, a gente tem que pensar em melhor gerir os recursos públicos. Essa foi uma grande inovação deste ano, porque ao invés de estarmos comprando água mineral, gastando com uma logística extremamente cara, nós invertemos a ótica dos investimentos e, ao invés de comprarmos água mineral, trouxemos uma solução eficaz, que vai ficar de forma permanente nas comunidades”, afirmou Francisco Máximo.

Praticidade

O filtro Salta-Z ficou popular nos últimos três anos, mas é uma tecnologia desenvolvida ao longo de 10 anos de estudos e testes, até fora do Brasil. Pensando na logística da Amazônia, e na praticidade para o ribeirinho, os técnicos da Funasa se preocuparam em montar uma ferramenta que dê independência para o morador da comunidade rural.

“Existem outras variáveis do Salta-Z que são mais automatizadas. Essa é muito mecânica, mas é feito de propósito, uma condição de que quando a Funasa se afasta daquela comunidade, o comunitário consiga resolver a parte de tubulação ou de troca, por exemplo”, explica o superintendente da Funasa no Amazonas, Wenderson Monteiro.

Para que as comunidades consigam inserir a tecnologia do filtro ao dia a dia no interior, técnicos da Defesa Civil do Amazonas qualificaram os moradores para realizar a limpeza e troca dos materiais necessários para a manutenção do aparelho.

“Tornar uma comunidade resiliente é, sobretudo, deixá-las menos suscetíveis ao risco de desastres, portanto mais preparados para os desastres. E o que a água tem a ver com isso? Água tem a ver com tudo, porque no desastre nós também temos a poluição e contaminação desses rios, uma vez que a população ingere essa água, ficando suscetíveis a doenças, então é uma das nossas preocupações”, destaca o coronel Francisco Máximo.

Qualidade da água

As águas de superfície são as que mais necessitam de tratamento, porque se apresentam em algumas situações com qualidades físicas e bacteriológicas impróprias, com exceção das águas de nascentes que, com uma simples proteção das cabeceiras e cloração, podem ser muitas vezes consumidas sem perigo. Já as águas de grandes rios podem ser relativamente satisfatórias, sob o ponto de vista químico e bacteriológico, quando captadas ou colhidas em locais menos sujeitos à contaminação. Ainda assim, é indispensável o tratamento simplificado.

“Os técnicos da Funasa do Pará, trabalhando nas regiões do Estado, testaram outras soluções, então o Salta-Z, na verdade, são vários experimentos, até porque o insumo do litro filtrante é encontrado em qualquer local do Brasil. Nós, então, desenvolvemos a solução buscando a qualidade da água, no nível de potabilidade do Ministério da Saúde. Os técnicos da Funasa chegaram a um parâmetro, na época, primeiro de composição química, e desenvolveu esse modal que existe hoje, num cilindro, que fomos adaptando”, explica o superintendente da Funasa no Amazonas, Wenderson Monteiro.

Como funciona

Desenvolvido por técnicos da Funasa do Pará, o filtro nada mais é do que a coleta de água de um manancial, rio, lago, açude. Essa água passa través de uma bomba e leva, até a caixa d’água, sulfato de alumínio, que, por sua vez, trata da questão estética da água, dando uma boa aparência. Ele pega a sujeira, flocula, decanta, dando uma aparência melhor.

Ao subir para a caixa, a água fica de 30 a 50 minutos decantando e pode descer em direção ao filtro. Ao passar por ele, ela passa também por um dosador de cloro, que, ao chegar ao filtro, vai ser devidamente tratada. Essa água já vai diretamente para a torneira, então, o cloro faz esse tratamento químico da água.

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