24 de maio de 2019 15h32 - Atualizado em 24/05/2019 15h32

Nova versão de ‘Alma’, de Claudio Santoro, estreia no 22º FAO

A estreia da nova montagem será realizada neste domingo no Teatro Amazonas
ALMA (4)

Em toda sua extensa carreira, o maestro amazonense Claudio Santoro criou apenas uma ópera, “Alma”, baseada na obra de Oswald de Andrade. Em 1998, foi realizada a primeira montagem, no segundo Festival Amazonas de Ópera (FAO), com elenco estrangeiro e cortes no manuscrito original. Em 2019, ano do centenário de Santoro, uma nova versão será apresentada no 22º FAO, após a entrega de um manuscrito inédito. A estreia da nova montagem será realizada neste domingo (26), às 19h, no Teatro Amazonas.

“Alma” será apresentada pela Amazonas Filarmônica, Corpo de Dança do Amazonas e Coral do Amazonas. A ópera, que tem quatro atos e duração de 2h30 (com um intervalo de 20 minutos), terá regência dos maestros Marcelo de Jesus (nos dias 26 e 30 de maio) e Otávio de Simões (dia 28 de maio).

Para o secretário estadual de Cultura, Marcos Apolo Muniz, é um privilégio poder realizar essa homenagem a Claudio Santoro. “A importância dele transcendeu as fronteiras do Brasil. É um dos compositores mais respeitados, reconhecido no mundo inteiro. Temos que celebrá-lo. Não é à toa que ele dá nome ao Liceu de Artes e Ofícios do Amazonas, onde são lapidados inúmeros talentos que sonham com uma carreira sólida no mundo das artes”, observa.

O maestro Marcelo de Jesus reforça a excelência do trabalho do maestro e compositor amazonense. “Claudio Santoro era excelente em tudo que fazia e nesta obra isso fica evidente. ‘Alma’ tem personagens bem construídos, é vocalmente complexa e cenicamente intensa. A cada dia que a trabalhamos nos ensaios, a obra ganha mais profundidade. Ele conseguiu uma coisa muito rara nesta ópera, por ela ter tantas abordagens complexas. E agora teremos uma versão completamente nova”, destacou.

A nova versão, que terá estreia mundial no FAO, foi possível após o filho do maestro Claudio Santoro, o cravista Alessandro Santoro, entregar um manuscrito achado nos arquivos do pai, com uma nova revisão, indicações e correções precisas de trechos.

“É uma versão que difere daquela que foi editada pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) e mais ainda daquela apresentada em 1998, que teve muitos erros de cópia e cortes, muitos trechos não incluídos. Uma das mudanças que tivemos é um trecho que contém a Canção a Deus, que usaremos logo no início como uma espécie de abertura. Com certeza vai ficar na ‘orelha’ da plateia, é um hit. Após o fim do festival, entregaremos a nova versão que preparamos para uso da família”, pontua o maestro.

Uma das características destacadas por Marcelo de Jesus é o experimentalismo abordado por Claudio Santoro em “Alma”. “Ele percorre vários caminhos musicais sem o perder o arco geral da ópera, o que é bastante difícil de fazer. Há uma parte onde tem um chorinho tipicamente brasileiro, em outras há música eletrônica, que são gravações que ele pede pra inserir durante algum trecho, há uma influência cinematográfica, de compositores russos – dos quais ele bebeu bastante da fonte. Há trechos onde o texto é falado, sussurrado. Mais uma vez, ele (Claudio Santoro) traz uma paleta gigante de técnicas de composição, mostrando-se um músico multifacetado, sem perder a excelência”, afirma.

Exposição

Também no domingo (26) será inaugurada a exposição “A Alma de Claudio Santoro”, na sala anexo ao Salão Solimões, no Teatro Amazonas. A mostra, que ficará em cartaz até novembro, fará uma linha do tempo sobre a vida e a obra de Santoro, reunindo objetos pessoais, troféus, diplomas e até pinturas – materiais do acervo da viúva Gisele Santoro.

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