10 de janeiro de 2018 16h44 - Atualizado em 10/01/2018 16h45

Manaus tem sete mil poços artesianos em contaminação

O número é apontado em relatório do GT do Saneamento da Aleam
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Um dos mais graves problemas que a cidade de Manaus enfrenta com relação ao abastecimento de água é a abertura de poços tubulares irregulares, clandestinos, em locais com profundidade e técnicas inadequadas”. A descrição minuciosa da situação está assinalada no relatório final do Grupo de Trabalho (GT) do Saneamento Básico no Estado do Amazonas, constituído pela Assembleia Legislativa (Aleam) e coordenado pelo presidente da Comissão de Geodiversidade e Recursos Hídricos, Minas, Gás e Saneamento Básico, deputado Sinésio Campos (PT).

O estudo realizado pelo Grupo de Trabalho de fevereiro a dezembro de 2017 mapeou os principais problemas de abastecimento de água potável, drenagem urbana, esgotamento sanitário e limpeza pública de cada um dos 62 municípios amazonenses, produzindo um relatório detalhado com mais de 800 páginas sobre o tema.

De acordo com o relatório do GT, o Estado tem sido ineficiente na fiscalização e controle da utilização de suas águas subterrâneas e essa ineficiência não permite mensurar com exatidão, a quantidade de poços construídos irregularmente em Manaus. Mas, de acordo com informações prestadas por técnicos do Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (IPAAM) e pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), Manaus possui entre 10 mil a 15 mil poços tubulares, os chamados artesianos.

Em manifestação na Câmara Municipal de Manaus (CMM), em julho de 2012, técnicos da CPRM de Manaus estimaram que “a cidade de Manaus possui mais ou menos 15 mil poços tubulares, os quais, aproximadamente, cinco mil são cadastrados, três mil estão abandonados e os sete mil restantes foram perfurados de forma clandestina”. Eles apontaram, ainda, como uma solução para o abastecimento de água a utilização da água de superfície servida pelo rio Negro que tem capacidade para abastecer mais de 20 cidades nos padrões de Manaus.

Aponta o estudo do Grupo de Trabalho que, ao longo dos anos, especialistas, instituições e meios de comunicação vêm alertando as autoridades para o grave problema de construção irregular e clandestina de poços tubulares em Manaus, mas pouca providência vem sendo adotada para modificar tal realidade.

De acordo com o GT, um dos principais problemas dos poços se refere à profundidade. São poços rasos, em torno de 50 a 80 metros e, como a coleta de esgoto praticamente não existe, a própria fossa contamina a água que a população vai consumir. Outros problemas relacionados dizem respeito ao rebaixamento e à contaminação dos lençóis freáticos. Isso ocorre porque esse tipo de obra pode levar terra, resíduos sanitários e outros componentes físicos e químicos da superfície para o interior.

De acordo com o relatório, sabe-se que a má qualidade da água gera graves consequências à população que pode sofrer com doenças de veiculação hídrica (diarreia, hepatite, disenteria). Além da contaminação bacteriológica proveniente das fossas é possível evoluir para uma contaminação química – ou seja -, a decomposição das bactérias e a geração de nitratos e nitritos que permanecerão naquela água.

O superintendente da CPRM, Marco Oliveira, alerta que para solucionar o problema da qualidade da água de Manaus, o ideal seria a construção de poço profundo com mais de cem metros de profundidade. “No entanto, apesar de haver estrutura física para receber esse poço, o custo é alto, de mais de R$ 50 mil, o que torna inviável para a população de baixa renda. Por essa razão, a medida mais adequada é que a população consuma água que vem da concessionária, com um controle de qualidade muito maior. Portanto, é aconselhável o uso de água que sai da torneira em relação à do poço, cuja procedência é desconhecida”, observou.

 

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